Estou eu sentada no chão, num fim de tarde claro e quente, calmo, com uma pitada de surrealidade.
Vejo como a grama verdinha fica linda quando tocada pelos ainda quentes, raios de sol, fazendo-a parecer ser feita de vidro. Como o silêncio ao meu redor.
Penso na minha vida, e milhares de pensamentos vem até mim, como se fossem uma imensa revoada de singelas borboletas, que tentassem me tocar todas ao mesmo tempo. É um espetáculo bagunçado e maravilhoso, confuso e harmonioso. Esplendoroso. Extasiante. Inebriante. Faz cócegas. Mas eu não me movo, para poder senti-las todas, cada qual com seu sentimento, com sua peculiaridade, tentando colocar em ordem os pensamentos que elas são. Finalmente se acomodam em mim, todas. Me sinto ligeiramente sufocada e me movo alguns centímetros. Novamente voltam a flutuar seu balé no ar. Muitas se distanciam bastante, mas algumas ainda se encontram pousadas firmes em algum lugar do meu ser. Eu começo a guardá-las em folhas de papel, utilizando um lápis de escrever, que as transforma em histórias, poemas, versos e prosas. A beleza delas se transfigura, mas não muda. À medida que as vou guardando, vão se acalmando, fazendo-se mais nítidas, fortes e belas; isso as que ficaram, pois algumas se distanciam tanto que acabam se perdendo, nunca mais retornando, deixando espaço para que futuras novas borboletas possam ser eternizadas numa folha de papel.
Magamesk

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