Das tuas águas tão verdes
nunca mais me esquecerei.
Meus lábios mortos de sede
para as ondas inclinei.
Romperam-se em teus rochedos:
Só bebi da que chorei.
Perderam-se os meus suspiros
desanimados, no vento.
Recordo tanto o martírio
em que andou meu pensamento!
E os meus olhos ainda giram
como naquele momento.
Os marinheiros cantavam
Ai, noite do mar nascida!
Estrelas de luz instável
saíam da água perdida.
Pousavam como assustadas
em redor da minha vida.
Dos teus horizontes quietos
nunca mais me esquecerei.
Por longe que ande, estou perto
Toda em ti me encontrarei.
Foste o campo mais funesto
por onde me dissipei.
Remos de sonhos passavam
por minha melancolia.
Como um náufrago entre os sábios,
meu coração se valera.
-Mas nem sombra de palavras
houve em minha boca fria.
Não rogava. Não chorava.
Unicamente morria.
Cecília Meireles
Com um lindo salto
lesto e seguro
o gato passa
do chão ao muro.
Logo mudando
de opinião,
passa de novo
do muro ao chão.
E pega corre
bem de mansinho
atrás de um pobre
de um passarinho.
Súbito, pára
como assombrado,
depois dispara
pula de lado.
E quando tudo
se lhe fatiga
toma o seu banho
passando a língua
pela barriga.
Vinícius de Moraes

Eu sei que pode não adiantar nada agora, mas antes também não adiantaria muita coisa. Desculpe a confusão. É só mais um desabafo. Só adiantará para aliviar a minha alma atormentada pela própria consciência.
É do meu conhecimento geral que eu desprezo profundamente o meu ser. Claro que possuo amor próprio, eu só detesto o que eu faço, o meu maldito vício. Eu só consigo parar com muita força de vontade, ou por vergonha. E é expondo as entranhas da minha alma que consigo notar meus defeitos e me recolher à minha insignificância.
"Heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências", Shakespeare dizia, e penso, será que não faço o que é necessário por medo das consequências?
Às vezes eu acho que não quero me livrar do meu vício, como toda boa dependente. Toda vez que não me controlo e acabo fazendo de novo, o meu ego se infla, pelo prazer que o alimenta.
Só me resta pedir perdão à todos, mas principalmente à mim mesma, não que eu me sinta diferente de outras pessoas, e é esse o problema, eu deveria me sentir diferente.
Tenho que ter força de vontade e paciência para me livrar do prazer que me mata: seduzir.
Magamesk

Estou eu vagando pela deformidade do meu sonho vazio, quando passa por mim um vento levemente pesado, indo em direção ao sonho que havia ao lado do meu. É quando eu avisto um ser em sua própria mente, caminhando pela rua, noite afora, com um cigarro nos lábios.
É o ser que me alegra, me aviva, me completa! Estendo meu braço, numa menção de tocá-lo. Uma garoa fina começa a cair no mundo dele. Ele fecha os olhos, ergue o rosto para cima, para sentir a garoa. É como se pudesse sentir minha carícia em sua testa.
O sonho torna-se pesadelo, quando a saudade vem a toda com sua fúria, com trovões e relâmpagos. Ele se prostra, diante da grandeza da explosão de tão cruel e desalmado sentimento.
Mas a certeza convicta do amor pleno e perfeito, do meu amor, do nosso sentimento, é muito mais forte do que a saudade que o faz cair ao chão. E é com esse poder que dissipo a tempestade que o assola.
Ele se esforça para tomar equilíbrio e poder se levantar, mas ainda se encontra zonzo pelo espetáculo estonteante da saudade que insiste em existir. Eu me desloco até onde ele está, e acalmo-o colocando a minha mão em sua nuca. Ele reage, relaxando o corpo e começando a se dissipar. Percebo que não terá mais forças para levantar-se e continuar sonhando. Eu continuo até ele se ir completamente. Ele acordou, mas sua mente ainda vagueia pelos sonhos, então eu o acompanho em sua real caminhada, em meio aos suaves ventos da madrugada.
Magamesk

Acendo um cigarro enquanto caminho pela rua, olho para as estrelas que me observam, a lua me fita os olhos como se procurasse por algo dentro de mim, um sentimento que me dói no peito. Os dias parecem intermináveis, os passos ficam pesados, fico a contar as horas todos os dias em que acordo e me pergunto quando tornarei a rever aquela que me tirou as forças. Então, no cair da noite novamente, o vento que me toca a face me traz um perfume inebriante, a gota suave da garoa me toca a testa, trazendo com ela as lembranças do toque aveludado das mãos que um dia ali acariciaram. A saudade me enche o peito, as lembranças me vêm como um soco que atordoa toda a minha alma. Relâmpagos tomam conta da noite, chegando a quase me cegar os olhos úmidos pelos sentimentos que tomam conta do meu ser.
A noite parece encarnar meus sentimentos, os trovões ecoam como gritos de um moribundo que sofre pelas chagas que afloram em seu peito. O chão parece tremer com os passos pesados do meu corpo cansado, o vento forte me leva ao chão, então um clarão me tira os sentidos, fecho os olhos e levo as mãos ao rosto. De repente tudo fica quieto, nem mesmo o vento, que parecia brincar com as folhas não parece estar mais por ali. Levo as mãos ao chão tentando me levantar, e eis que uma mão me toca a nuca; nesse momento sinto aquele mesmo toque aveludado que em minhas lembranças ficaram. Levanto a cabeça vagarosamente, mas antes que pudesse apreciar tal rosto, acordo em minha cama banhado em suor, sem saber o que tinha acontecido. Pálido, transpirando, e extremamente ofegante, a mão trêmula mal segura o cigarro. Ponho então minhas vestes, lavo o rosto e saio a caminhar pela madrugada, novamente então o vento me toca a face, e traz aquele mesmo perfume.
Elias Brogiatto
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O silêncio violento que toma conta do meu ser precede as lágrimas doloridas
Que transbordam dos olhos carregados de mágoas
Pelas feridas recém-feitas e expostas ao ar ácido e corrosivo de minha respiração ofegante.
Torno a olhar para o ser altivo que me feriu com tamanha crueldade
E ele sorri para mim com um sorriso perfeito de uma doçura inigualável
Meu sentimento de vingança cresce como o fogo em líquido inflamável.
Me esforço para ficar novamente de pé
E tentar golpear novamente a criatura que me provoca com seu olhar afiado e penetrante
Que zomba de mim, simplesmente por eu ainda estar de pé e me encara como se eu fosse algo insignificante.
"Me peça O Grande Golpe de Misericórdia. Você está se esforçando em vão"
Cuspo aos seus pés
"Jamais"
"Você não passa de uma pessoa medíocre e inútil"
O ser sussurra em meus ouvidos como se fosse uma bela melodia
"Eu ainda estou de pé" sorrindo, ironicamente, após selar meus lábios nos seus.
E então ele recua "Mas eu ainda estou em melhores condições do que você"
"E eu sempre fui mais forte" eu avanço
E venço a criatura opressora.
Olhando-a de cima, debaixo do meu joelho, que se encontra em sua garganta
"Não custa tentar, você diria. Mas hoje a sua tentativa te custará a liberdade"
"Não!" Ele me implora.
Eu sorrio docemente, assim como ele fez anteriormente
E com um forte arremesso, mando-o de volta ao seu mundo
De onde nem deveria ter saído.
Eu me recomponho me arrumo e saio
Venci a batalha mas não a guerra
E amanhã haverá mais uma à frente do espelho novamente quando eu acordar.
Magamesk
Aconchegada na quietude da madrugada, ouço a chuva cair gentilmente do lado de fora da janela entreaberta. O suave e gélido aroma de chuva invade o quarto com uma brisa suave. Me recordo de você, do frescor de maracujá que tem o seu beijo, do seu abraço acolhedor, aconchegante e protetor, da sua radiante presença,e da alegria transbordante do seu sorriso perfeito. Adormeço sem perceber, sonhando com você, e com a cantiga de ninar da natureza.
Magamesk
Um miserável ser transita mundo afora. Sobrevive alimentando-se de inocência, bondade e paciência, de um outro ser ingênuo. Devora tudo de uma só vez, ferindo gravemente o bondoso ser que lhe estende a mão. O devorador não sabe o significado da palavra respeito, tampouco da amizade e consideração. Sendo um ser puramente irracional e primitivamente instintivo, está fadado à pior solidão, aquela auto-infligida inconscientemente. Responde apenas aos seus desejos carnais momentâneos, deixando seu instinto de sobrevivência de lado, sem perceber como isso o afeta fatalmente. O ser devorado não possui mais a inocência, perdeu a bondade e secou-se sua paciência, e enquanto o devorador acha que está sendo alimentado por outro ser, desapercebe-se de que o único a quem ele devora é a si mesmo.
Magamesk
Eis que de longe vejo uma tempestade de areia se aproximando. Não é muito grande, mas é forte o suficiente para me cegar. Tento firmar os pés no chão, mas o vento me arrasta. Ao findar a tempestade, estou esgotada, sem forças para me sustentar. Então, um bondoso senhor aparece e me estende a mão, me ajuda a levantar e a me recuperar e me ensina lições valiosas. Outra tempestade de areia se aproxima, mas eu tenho companhia dessa vez. Ele me ensinou a firmar os joelhos no chão para não ser arrastada, fechar os olhos para poder enxergar com clareza, e sempre estar acompanhada Dele, para que assim possamos enfrentar juntos as tempestades de areia da vida.
Magamesk
Como um ser noturno, caminho madrugada afora em pensamento, sentindo suas promessas de amor trazidas pelo vento.
Olá meus escassos leitores! Volto depois de um longo e tenebroso inverno a vos escrever meus poemas e poesias. Voltei também com novas idéias do que colocar aqui pra sair um pouco da mesmisse. Andei vendo umas coisas diferentes em blogs de alguns colegas que me refrescaram as ideias. Só posso dizer que dentro em breve começarei a publicar pequenos contos e algumas crônicas. Sejam bem-vindos novamente!
Magamesk