Acendo um cigarro enquanto caminho pela rua, olho para as estrelas que me observam, a lua me fita os olhos como se procurasse por algo dentro de mim, um sentimento que me dói no peito. Os dias parecem intermináveis, os passos ficam pesados, fico a contar as horas todos os dias em que acordo e me pergunto quando tornarei a rever aquela que me tirou as forças. Então, no cair da noite novamente, o vento que me toca a face me traz um perfume inebriante, a gota suave da garoa me toca a testa, trazendo com ela as lembranças do toque aveludado das mãos que um dia ali acariciaram. A saudade me enche o peito, as lembranças me vêm como um soco que atordoa toda a minha alma. Relâmpagos tomam conta da noite, chegando a quase me cegar os olhos úmidos pelos sentimentos que tomam conta do meu ser.
A noite parece encarnar meus sentimentos, os trovões ecoam como gritos de um moribundo que sofre pelas chagas que afloram em seu peito. O chão parece tremer com os passos pesados do meu corpo cansado, o vento forte me leva ao chão, então um clarão me tira os sentidos, fecho os olhos e levo as mãos ao rosto. De repente tudo fica quieto, nem mesmo o vento, que parecia brincar com as folhas não parece estar mais por ali. Levo as mãos ao chão tentando me levantar, e eis que uma mão me toca a nuca; nesse momento sinto aquele mesmo toque aveludado que em minhas lembranças ficaram. Levanto a cabeça vagarosamente, mas antes que pudesse apreciar tal rosto, acordo em minha cama banhado em suor, sem saber o que tinha acontecido. Pálido, transpirando, e extremamente ofegante, a mão trêmula mal segura o cigarro. Ponho então minhas vestes, lavo o rosto e saio a caminhar pela madrugada, novamente então o vento me toca a face, e traz aquele mesmo perfume.
Elias Brogiatto

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