Estou eu vagando pela deformidade do meu sonho vazio, quando passa por mim um vento levemente pesado, indo em direção ao sonho que havia ao lado do meu. É quando eu avisto um ser em sua própria mente, caminhando pela rua, noite afora, com um cigarro nos lábios.
É o ser que me alegra, me aviva, me completa! Estendo meu braço, numa menção de tocá-lo. Uma garoa fina começa a cair no mundo dele. Ele fecha os olhos, ergue o rosto para cima, para sentir a garoa. É como se pudesse sentir minha carícia em sua testa.
O sonho torna-se pesadelo, quando a saudade vem a toda com sua fúria, com trovões e relâmpagos. Ele se prostra, diante da grandeza da explosão de tão cruel e desalmado sentimento.
Mas a certeza convicta do amor pleno e perfeito, do meu amor, do nosso sentimento, é muito mais forte do que a saudade que o faz cair ao chão. E é com esse poder que dissipo a tempestade que o assola.
Ele se esforça para tomar equilíbrio e poder se levantar, mas ainda se encontra zonzo pelo espetáculo estonteante da saudade que insiste em existir. Eu me desloco até onde ele está, e acalmo-o colocando a minha mão em sua nuca. Ele reage, relaxando o corpo e começando a se dissipar. Percebo que não terá mais forças para levantar-se e continuar sonhando. Eu continuo até ele se ir completamente. Ele acordou, mas sua mente ainda vagueia pelos sonhos, então eu o acompanho em sua real caminhada, em meio aos suaves ventos da madrugada.
Magamesk

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