10 março 2012

Memórias - Palavras tiradas da alma


 Eu estava lendo o que você me escreveu há cerca de cinco anos atrás, e me lembrando do seu rosto, seu jeito, seus olhos, seu cabelo, e incrivelmente ainda lembro da sua voz, do cheiro da sua casa. Foram coisas que o tempo não apagou.
 É inevitável pensar em você, lembrando do nosso tempo de escola, e não chorar, mas com certeza eu não sou a única. E mesmo sabendo que não lerás, escrevo, porque se o esquecimento chegar ao meu corpo corrompível, que estas palavras permaneçam.
 Assim que você explicou o porque de suas atitudes mudarem comigo, eu senti que de alguma forma, você estava me deixando, mas eu era nova demais para dar atenção aos meus instintos. E eu também atendi ao que você me pediu, quando escreveu no meu caderno; eu não mudei, porque sabia que você poderia precisar de uma âncora, pena que você não se lembrou disso a tempo. Eu não mudei, apenas amadureci, porque, além de inevitável, era necessário.
 Ainda me lembro do seu sorriso perfeito e da sua personalidade alegre e contagiante. Tem uma explicação muito simples para o fato de eu me lembrar tão bem de tudo isso: Você mudou muita coisa na minha vida, fez realmente valer a pena cada segundo gasto com tardes ao som de Evanescence e brigadeiro de colher; filmes, conversas, jogos, tudo o que tínhamos em comum. Ainda carrego comigo muitas coisas que adquiri de você, pois já que de certa forma você é uma parte de mim, achei justo incorporá-las, como se me pertencessem desde sempre.
 Eu sinto uma falta danada das nossas conversas, pois mesmo se a gente passasse um bom tempo sem se ver, dava a impressão de termos nos visto bem mais recentemente. Uma coisa é você saber que pode encontrar a pessoa quando procurá-la, outra, é saber que não haverá uma próxima vez, uma outra conversa, um último abraço, ou um simples adeus.
 Eu gostaria que soubesse que quando você me apresentou um amigo de infância, mesmo que só por educação, abriu uma enorme porta de felicidade no meu futuro. Quem poderia imaginar que eu e ele planejaríamos nosso futuro juntos, como casamento e filhos? Esse seu ato foi o que mudou uma parte significativa do curso da minha vida.
 Nesse mês, no dia vinte e cinco, completa quatro anos que você se foi. Quatro anos que eu fui visitar sua última morada, sem acreditar que você foi antes do que a vida havia planejado. E sempre que eu ouço determinadas músicas, eu lembro de você, pois marquei-as em mim com o perfume da tua presença viva em minhas memórias.
 Nunca ninguém ocupará seu lugar na minha vida e nem no meu coração, minha querida insubstituível. Eu só torço para que eu consiga encontrar alguém que me faça tão bem quanto você me fez, irmã de alma. E "enquanto eu respirar, vou me lembrar de você" (Fernando Anitelli), e te amar também. Mirella.

Magamesk

Nenhum comentário:

Postar um comentário