12 novembro 2011

O Cisne - parte I de II

 Esses tempos atrás, tive a ideia de postar alguns contos, tomando por base as músicas da minha playlist. A primeira que eu consegui passar para o papel foi essa história aqui, baseada na música The Swan Song do Within Temptation. Sugiro que se quiserem alguma música de fundo para acompanhar, ela é o tema, here is the link: http://www.youtube.com/watch?v=u76STEGlCXk




 Em uma noite de tempestade, num reino qualquer da época feudal, a rainha Lia morre ao dar a luz à pequena Alice, e a parteira se oferece para ser a tutora da menina e evitar aborrecimentos futuros ao rei. O rei Jhon, desnorteado pela recente viuvez, aceita sem muitos questionamentos ou restrições.
 Quando a princesa completou dezessete anos, o rei deu uma festa para apresentá-la aos príncipes dos reinos próximos, com os quais, Jhon intentava uma aliança.
 Os príncipes ficaram maravilhados com Alice, trajada em seu melhor vestido. Mas ela não percebeu os olhares dos rapazes, pois o seu foco tinha sido atraído para Peter, um jovem que estava a servir os convidados. Ela se encantou por ele assim que o viu, quando ele a olhou nos olhos por dois breves segundos, enquanto oferecia uma taça de vinho ao rei; que nem se deu conta, por estar preocupado demais com seus convidados.
 Para o rei Jhon , e mais um outro rei, a festa tinha sido produtiva, pois haviam marcado um novo encontro para definirem os termos do casamento de seus filhos. Já para Alice, a festa se resumiu em ficar seguindo com os olhos todos os movimentos de Peter. Ela já estava acostumada a lidar com rapazes, mas havia algo nele que o tornava diferente.
 A princesa sabia que, depois de todos se recolherem em seus aposentos, os serviçais ficavam até mais tarde arrumando as coisas. Como Mel, sua tutora, a ensinara a ser discreta, principalmente em assuntos como esse, Alice se trocou, colocando roupas mais leves e discretas, e logo em seguida, saiu de seu quarto em segredo, dirigindo-se à cozinha.
 Ao chegar lá, como todos tivessem conhecimento dos hábitos noturnos da princesa, retiraram-se em silêncio à um sinal familiar dela. Peter também estava para sair, quando ela o deteve.
-Você fica; teremos uma conversa séria.
-Sim, alteza. -disse ele parando onde estava e encarando-a.
 Assim que ficaram a sós, Alice se aproximou dele, praticamente comendo-o com os olhos.
-Qual seu nome?
-Peter, alteza.- respondeu ele, ainda sem abaixar a cabeça.
-É a primeira vez que trabalha no palácio, Peter?- ela diz o nome dele com gosto.
-Sim, alteza.
-Presumo que conheça a área da floresta. Correto?
-Sim, alteza.
-Falarei agora mesmo com o chefe da cozinha, não quero mais você trabalhando neste lugar.- Peter abaixou a cabeça. -A partir de amanhã, você me acompanhará nas minhas incursões até a lagoa que fica escondida pelo velho carvalho. Entendido?
-Sim, alteza!- respondeu Peter, levantando a cabeça com um sorriso nos lábios. O sorriso mais belo que ela já havia visto.
-Te vejo amanhã, na porta do palácio assim que o sol nascer.- disse ela retirando-se -E Peter, costumo ser pontual.
-Sim, alteza.- disse ele com um aceno de cabeça, consentindo.
 No dia seguinte, assim que saiu do palácio, ela se deparou com Peter, seu mais novo serviçal, à sua espera, juntamente com seu cavalo preferido, pronto para montar.
 Alice falou durante todo o trajeto, e Peter foi-lhe um ótimo ouvinte. Contou-lhe sobre as histórias que Mel narrava para ela poder dormir, sobre seus contos de quando aprendia a montar um cavalo como uma dama, e mais algumas coisas fúteis de princesa mimada. Ao chegarem, ela se despiu com espantosa destreza, ficando apenas em trajes íntimos.
 Para grande assombro da donzela, Peter continuou agindo como se aquilo fosse a coisa mais sem importância do mundo. Assim que a princesa desmontou, ele tratou logo de prender o animal em uma árvore e verificar atentamente se havia alguém por perto. Feita a sua ronda, estendeu um lençol na grama, pegou as vestes que ela pendurara na árvore e depositou-as gentilmente sobre metade do lençol.
 O espanto da princesa foi tamanho, que nem entrara na lagoa, apenas observava atônita as reações de Peter.
-Vossa alteza não estava para se banhar?- lembrou ele.
-É claro. Só estava por observar o teu serviço.- recuperou-se ela rapidamente -Venha. Despe-te e junte-se a mim.
-Agradeço, vossa alteza. Mas é melhor eu ficar de guarda, para que pessoa alguma possa se aproveitar deste teu momento de lazer. -sorriu ele.
 Era incrível como ela se sentia incapaz de contrariá-lo, mesmo sendo ela a sua senhora. Alice contentou-se em mergulhar sozinha, até que sua perna esquerda foi acometida por uma cãibra terrível, e começou a afundar. Não chegou a afundar nem dois metros, e sentiu um braço agarrando sua cintura e levando-a de volta à superfície. Peter carregou-a no colo até o lençol estendido, onde ela sentou-se para recuperar melhor o fôlego. Não por quase ter se afogado, mas pela sensação que sentiu ao ser tocada por Peter.
-Princesa! Vossa alteza está bem? -indagou ele preocupado, ajoelhando-se na frente dela e colocando as mãos nos ombros dela. Alice se arrepiou inteira novamente, como nunca havia arrepiado antes.
-Eu... Eu estou... Bem... -esforçou-se ela.
-É melhor voltarmos, deixemos esse passeio para amanhã. Cubra-se. -e ele colocou a sua capa, que estava seca, sobre a princesa, para esconder os trajes em que ela se encontrava.
 Pegou-a no colo novamente, causando tremores nela, colocou-a em cima do cavalo, pôs as vestes da princesa no meio do lençol, fez uma trouxa, prendeu-a à cela do animal, tomou as rédeas, e voltaram para o palácio.
 Peter deixou-a na porta, despediu-se e foi-se embora. A princesa passou a tarde e a noite toda sonhando com seu "salvador", que não aparentava, mas tinha a força de um caçador. Descobriu-se perdida de paixão durante as últimas semanas de verão que se seguiram. Alice saía todas as manhãs, acompanhada de seu mais leal súdito.
 Logo chegou o inverno, e ela havia prometido ao pai que assim que chegasse o frio, se dedicaria ao seu noivo, o príncipe Edmund. Mas ela ainda não havia devolvido a capa de Peter, e a usaria como pretexto para ir vê-lo à noite.
 Alice preparou-se para sair; disfarçou-se, colocando roupas simples, assim como as pessoas que moravam na vila. Soltou seus longos cabelos castanhos escuro e, colocou escondido na bota um frasquinho com um líquido púrpura dentro, caso tivesse a chance de usá-lo.

 To be continued...

Magamesk

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