I
Meus olhos andam sem sono
somente por te avistarem
de uma tão grande distância.
De altos mastros ainda rondo
tua lembrança nos ares
O resto é sem importância.
Certamente, não há nada
de ti, sobre este horizonte
desde que ficaste ausente.
Mas é isso o que me mata:
sentir que estás não sei onde,
mas sempre na minha mente.
II
Não acredites em tudo
que disser a minha boca
sempre que te fale ou cante.
Quando não parece, é muito,
quando é muito, é muito pouco,
e depois nunca é bastante...
Fôste o mundo sem ternura
em cujas praias morreram
meus desejos de ser tua.
A água salgada me escuta
e mistura nas areias
meu pranto e o pranto da lua.
Penso no que me dizias,
e como falavas, e como te rias...
Tua voz mora no mar.
A mim não fizeste rir
e nunca viste chorar.
(Porque o tempo sempre foi
longo para me esqueceres
e curto para te amar).
sentir que estás não sei onde,
mas sempre na minha mente.
II
Não acredites em tudo
que disser a minha boca
sempre que te fale ou cante.
Quando não parece, é muito,
quando é muito, é muito pouco,
e depois nunca é bastante...
Fôste o mundo sem ternura
em cujas praias morreram
meus desejos de ser tua.
A água salgada me escuta
e mistura nas areias
meu pranto e o pranto da lua.
Penso no que me dizias,
e como falavas, e como te rias...
Tua voz mora no mar.
A mim não fizeste rir
e nunca viste chorar.
(Porque o tempo sempre foi
longo para me esqueceres
e curto para te amar).
Cecília Meireles

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